Fragmentos parte I

 Às vezes fico pensando nos fragmentos das minhas memórias. Ela não é lá essas coisas, mas as vezes ela apresenta imagens que são bem satisfatórias. 

Fico lembrando dos flashes que me chegam sem aviso algum... E hoje foi um dia desses. Estou eu aqui, arrumando minha filha para dormir. E após contar 1001 histórias para ela, e ela dormir, sentei na mesa da cozinha e comecei a devanear...

Recordei-me de eu, jovem adolescente, passeando na orla da praia com as amigas... Conversando, rindo, ouvindo música... Me encontrando enquanto identidade pessoal.

Lembrei da primeira vez em que eu ouvi Legião Urbana! Foi uma amiga chamada Paty que me apresentou. Eu estava na 8a. série (atual 9o ano) e ela me emprestou 4 fitas K7. Lembro que eu copiei as fitas para mim e fiquei encantada com as letras das músicas. E ficava eu e ela filosofando em cima das letras, querendo saber o que elas significavam... 

Também lembrei do meu primeiro beijo... Horrível. Cheio de baba e de falta de jeito.

Lembrei também da primeira vez que eu fui em um show de pagode, com uma amiga. Tinha dormido na casa dela. Lembro de ter chegado 6h da manhã. A gente entrando no apartamento dela e o pai dela saindo perguntando se a gente tinha trazido pão. Lembro que nesse dia emendamos com uma manhã na praia... Uma disposição invejável que hoje jamais conseguiria ter. 

Lembrei da expectativa em escolher o curso no Vestibular. Não existia ENEM, era Vestibular mesmo. O famoso PSS. Lembro que cada um de meus amigos tentávamos nos encontrar, nos identificar... Saber o que gostaríamos de "ser quando crescer". Tão cedo e jovens... Decisões que mudaram drasticamente nossas vidas.

Hoje estão todos "adultos". E ter essa visão me assusta, às vezes. Todos grandes, responsáveis. Uns casados, outros solteiros... Uns vivem viajando, outros (como eu) são mais caseiros. Uns com filhos, com cachorro, com gato... 

Mas quando olhos para cada um deles, eu lembro do sorriso despretensioso. Da alegria momentânea e intensa. Da inocência e vontade de mudar o mundo.

Será que ainda resta alguma parte desse nosso passado dentro de nós?


 

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